quarta-feira, 9 de março de 2016

Muqueta na Oreia: em português, a banda traz identidade ímpar


Localização: Embu, São Paulo

Bruno Zito (guitarra)
Cris (baixo)
Henry (bateria)
Ramires (voz e percussão)

nero: metal

Conheci Muqueta na Oreia através de uma disputa entre bandas em São Paulo pelo já muito conhecido Manifesto. O primeiro contato que tive foi com eles e a energia desses caras em cima de um palco é ímpar e insana! Confira a seguir a entrevista que fizemos com eles!




I. Olá, Muqueta na Oreia! Gostaria de agradecê-los pela oportunidade de entrevista com vocês. Primeiramente, como foi procurar um nome que se encaixasse com as ideias e propostas de som da banda?

Ramires: Nós que agradecemos pelo apoio. Na verdade não procuramos pelo nome da banda, ele veio até nós (rs). Há muito tempo um amigo fez uma compilação só de bandas pesadas numa fita K7 e na etiqueta ele escreveu Muqueta Na Oreia, não por acaso acabou sendo a minha fita K7 favorita. Anos mais tarde, quando montamos a banda, esse nome simplesmente veio à mente e todos curtiram na hora. Ele define exatamente como é nosso som, pesado e sarcástico.




II. Agora, falando um pouco sobre formação da banda, como foi juntar pessoas pra formar o Muqueta na Oreia lá em 2007? Quais as influências que cada um de vocês traz para a banda?
Bruno Zito: Eu, o Cris e o Ramires, que também é meu primo, já havíamos montado vários outros projetos, nos conhecíamos há anos. O Cris e o Ramires inclusive tocam juntos desde os 15 anos, na época eu só tinha 8, mas já acompanhava os dois. Ás vezes eles me colocavam em situações que eram verdadeiras provas de fogo. Sempre que algum integrante dessas bandas sumia, (sim... isso acontecia com certa frequência), era eu que assumia o posto vago. Já toquei baixo com as cordas amarradas com arame (rs), percussão, fui roadie de bateria, tudo isso antes dos 12 anos (rs). Eram festivais, concursos ou mesmo em bares, onde tocávamos mais de 40 músicas por noite. Era insano pra um moleque, mas foi a melhor escola que tive.
O Henry a gente caçou na internet, num anúncio que ele fez “Batera procura banda”. Ele já até tinha esquecido porque ligamos pra ele dois anos depois que o anúncio foi publicado (rs). Demos muita sorte, achamos “o cara” e ele morava na cidade ao lado.


Da esquerda para a direita: Cris, Bruno Zito, Ramires e Henry





III. Sobre a temática que escolheram para a banda, a página de vocês no Facebook nos informa que “adicione uma pitada (ou muitas) de Heavy Metal e filmes de terror, e você tem uma das mais originais bandas do Brasil.”. Como unir o som com essa temática macabra num só Muqueta na Oreia?

Henry: Ouvimos muitos estilos, cada um tem suas influências, algumas são as mesmas, tipo Sepultura, Metallica, Pantera e tal, mas outras são muito diferentes mesmo (rs). E essas diferenças entre nós são justamente o que nos torna originais, porque não nos censuramos em nada, nem nos importamos com o que os outros vão pensar. A preferência é o som pesado, então essa agressividade é algo natural nas nossas músicas e na energia que levamos pro palco. O show é intenso, quem já foi sabe como é.
A temática macabra foi um lance mais do primeiro álbum “Lobisomem em Lua Cheia”, com músicas como “Mundo dos Mortos”, “O Médico e o Monstro”, inspirada no conto de Robert Louis Stevenson, “De volta ao mundo dos mortos”, a temática do videoclipe de “O Rosto” e a própria “Lobisomem em Lua Cheia”. No álbum “Blatta”, exploramos caminhos diferentes, mas o tom macabro ainda se faz presente, como em “Exu Caveira” e “Imortal”.




IV. Como descreveriam o som do Muqueta para alguém que ainda não os ouviu em três palavras?

Cris: MUQUETA NA OREIA



V. O primeiro trabalho do Muqueta na Oreia veio com o full-length ‘Lobisomem Em Lua Cheia’, lançado em 2010. É um álbum excepcional, de fato! Intros sensacionais, bateria rápida, riffs insanos, enfim, um instrumental pesadíssimo que mesmo assim, não tira a atenção dos vocais muito bem feitos. Destaque para a autointitulada, “Rock ‘N’ Roll”, “O Cão” e “F62”. Como foi compor e gravar este álbum?

Cris: Ah! Era tudo novo. Primeiro CD nosso que seria de fato oficial, vendido em lojas, com gravação profissional e introdução no mercado. Não conhecíamos ninguém no meio musical, começamos do nada, batendo de porta em porta, e fomos fazendo conforme achávamos correto, descobrindo os próprios timbres, novas formas de criar, aprendemos como é ser profissional fazendo som autoral. Enfim, foi uma verdadeira descoberta.

'Lobisomem em Lua Cheia' e sua arte de capa



VI. Um dos diferenciais do Muqueta é cantar em português e totalmente “decifrável”, por assim dizer (risos), mesmo sob os vocais gutural ou mais rasgado. Por que cantar apenas em português?

Ramires: Porque somos brasileiros e cantamos para o nosso povo. No começo era mais difícil, não eram todos que aceitavam bem, mas sempre acreditamos. Aos poucos a galera foi se acostumando, aprovando e apoiando. Hoje vivemos um bom momento do Rock pesado, cantando em português e a tendência é melhorar, porque temos uma identidade e devemos ser aceitos por quem realmente somos.




VII. A sombria intro “Signifer Lux”, a letra de “Cabeça Vazia”, o instrumental e letra impecáveis de “Exu Caveira” e a incrível “Primogênito de Uma Meretriz” fazem do segundo álbum do Muqueta, ‘Blatta’, lançado em 2013, uma verdadeira obra-prima. Neste álbum, o som de vocês se apresenta, de alguma forma, mais sólido, mais pedrada na cara em questões líricas, mas ainda trazendo os mesmos vocais rasgado e gutural fechado, como sempre contrastantes. Contem-nos um pouco de como foi produzi-lo?

Bruno Zito: Amadurecemos muito com todo o processo de “Lobisomem em Lua Cheia”. Viajamos bastante fazendo shows promovendo o álbum, aprendemos demais com novas experiências, inclusive nas furadas que nos metemos às vezes (rs). Nós sempre trabalhamos duro. Crescemos como homens e também musicalmente. Isso se reflete no álbum “Blatta”. É nítido que ele traz arranjos mais técnicos e elaborados, timbres melhores e letras mais consistentes.

O trabalho mais atual da banda, 'Blatta', chega mais elaborado e consistente em termos de letras



VIII. Algo inusitado que percebo no som de vocês é a utilização da percussão, como, por exemplo, o triângulo na faixa “Quebrar os Ossos da Cara”. Como é incluir esses instrumentos na sonoridade do Muqueta? E como isso é encarado pelo público?

Ramires: É natural. Não dá pra forçar, senão fica artificial. A música pede o que ela precisa, se é uma determinada percussão, um solo, uma virada, tudo... A música é que dita as regras. Nós só obedecemos.




IX. A primeira vez que ouvi algo do Muqueta foi numa das etapas do Manifesto Rock Fest em 2014 e por aquela curta apresentação underground, pude sentir o carisma e a presença de palco suprema de vocês todos. Recentemente, vocês participaram dos festivais MPB (Metal Pesado Brasileiro) em Osasco e Sorocaba; Grito Rock, em Barretos/SP e Planaltina/DF. Pegando essa deixa, o que pensam do metal underground em São Paulo? E a nível nacional?

Cris: Acabamos de voltar do Palco do Rock, em Salvador/BA, o maior evento de rock do Brasil durante o Carnaval. É um evento independente, que abre espaço para muitas bandas do underground. São quatro dias de festival, nós tocamos no primeiro dia para um público de 15 mil pessoas, segundo divulgado pela Polícia Militar. Ou seja, o público quer rock, e muito, o que precisamos é de mais apoio tanto do governo quanto da iniciativa privada, pois somos muito mal compreendidos. É difícil para eles nos entenderem e ver que somos pacíficos, que disseminamos cultura, a paz, a tolerância, além de sermos excelentes consumidores. Se a gente gosta de uma banda a gente vai comprar seus produtos para sempre, Iron Maiden que o diga...(rs)




X. Até hoje, O Muqueta tem cinco videoclipes já lançados, todos muito bem elaborados. Pensam em lançar mais algum ainda em 2016?

Henry: Com certeza. Faremos mais um videoclipe de alguma música do álbum "Blatta" e outro video no lançamento do próximo CD, previsto para o segundo semestre.





XI. O Muqueta já teve reviews pela Roadie Crew, Rock Brigade e Whiplash, em 2011; pela Revista 77, em 2009, estiveram na Expomusic, na edição de 2010. Suas músicas estão nas grandes rádios como a 89FM e a Kiss. Inclusive, foram recomendados por Marcos Kleine (Ultraje A Rigor), ainda em 2015. Isso fora todas as pessoas que os apoia. Como esse feedback é encarado por vocês?

Cris: É uma honra imensa ter nosso trabalho tão bem recebido pela mídia, por músicos e profissionais da música que admiramos e principalmente pelo público, que a cada dia mais apoia o Muqueta, e todas as bandas autorais que cantam em português. Realmente é muito trabalho (rs), mas todo o esforço está valendo a pena. É muito gratificante as pessoas nos incentivando, ouvir nossa música nas rádios, fazer shows insanos, ler as matérias nos sites, blogs, revistas, essas coisas (rs). Só temos a agradecer.




XII. Como está a agenda de vocês? E quais os planos futuros para o Muqueta?

Bruno Zito: Neste momento estamos focados nas composições para o próximo álbum, mas os shows não param, tão rolando (rs). Os próximos são dia 13/03 na Zona Leste de São Paulo e dia 26/03 em Embu das Artes/SP, nossa cidade, é raro tocar lá, uma vez por ano e olhe lá (rs)!




XIII.  Para finalizar nossa conversa, gostaria de agradecê-los novamente pelo tempo e disposição de vocês e desejar tudo de bom pra vocês todos e pra banda. O espaço final é com vocês, Muqueta na Oreia!

Ramires: Muito obrigado pelo apoio às bandas autorais. Você faz a diferença, precisamos desse espaço. Valeeu !!!

Henry: Galera, acessem nossos links (abaixo) e aumentem o volume !





Postado por Caterine Souza

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